"Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá" Salmos 37:5
Postado em 13/08/2014
Hauly culpa governo federal pelo cenário desolador na indústria brasileira

   Para o deputado Luiz Carlos Hauly (PR), somente uma nova e arrojada política industrial será capaz de tirar o setor do atoleiro, conforme demonstrou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao divulgar, nesta quinta-feira (3), os indicadores de maio.

   O quadro é desolador, admitiram os analistas da entidade. Nos cinco primeiros meses deste ano, a retração da atividade industrial foi de 1,6%, o pior resultado para este período desde 2009 (quando a queda foi de 9,1%). Pelo terceiro mês consecutivo, a indústria enfrenta dificuldades em intensificar o ritmo de operação e todos os indicadores analisados apresentam retração. A única exceção é o faturamento real, que cresceu 0,3% em maio na comparação com o mês anterior.

   “A produção brasileira está sofrendo muito nos últimos anos. Esse governo tem sido muito ruim para a economia, péssimo para os empresários e trabalhadores, que acabam tendo salários menores. A indústria não expande, e o Brasil passa a importar cada vez mais”, criticou Hauly nesta quinta.

   SÓ PIORA – Um dos dados mais alarmantes é que a indústria operou, em média, 80,7% de sua capacidade instalada, percentual 0,2% menor do que o apurado em abril (80,9%). Ainda que seja baixa, a queda é a quinta consecutiva. Ao se comparar os meses de maio de 2013 e de 2014, o recuo chegou a dois pontos percentuais.

   As horas trabalhadas também caíram, segundo o levantamento. Houve retração de 0,4% em maio, na comparação com abril. De acordo com o informe da CNI, o quadro de baixa atividade fica ainda mais evidente ao se analisar os 12 meses passados a contar de maio: o indicador de horas trabalhadas caiu 2,4%.

   As montadoras de veículos continuam agonizando, segundo a pesquisa. O segmento foi o que apresentou maior queda nas horas trabalhadas na produção (-15,9%) e no faturamento real (-15,3%). Além disso, seguem negativos os indicadores do mercado de trabalho do ramo: emprego caiu 4,8%; o de massa salarial real recuou 12,9% e o de rendimento médio sofreu queda de 8,5%, todos na comparação entre os meses de maio deste ano e de 2013.    

   EQUÍVOCOS PETISTAS – Os analistas da entidade voltaram a criticar a política de incentivo ao consumo adotada pelo governo petista desde 2009. De acordo com eles, ela não se sustenta se não for acompanhada por outras medidas, como o aumento dos investimentos e da produtividade, além do estímulo às exportações.

   Hauly reforçou a crítica dos representantes da indústria. “Essa fase de incentivo ao consumo já passou. O governo atual e o anterior elevaram o endividamento das famílias até o máximo. A capacidade de expansão via crédito está bastante limitada”, disse.

   SEM PERSPECTIVA – A semana foi de notícias muito desanimadoras sobre o setor. Divulgada na quarta-feira (2), a Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a produção industrial recuou 0,6% na passagem de abril para maio. Ante maio de 2013, retrocedeu 3,2%. O resultado negativo tem levado analistas a temer que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre venha ainda menor do que o previsto. As projeções variam de 0,22% a 0,50%.

   “A indústria caminha com dificuldade. Isso não é específico de um setor, nem algo deste momento. É um movimento que começou em outubro do ano passado”, constatou o economista André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

  PERFORMANCE PÍFIA – O desempenho pífio da indústria contribui para o baixo crescimento do país e para o PIBinho de 2% ao ano, percentual muito menor se comparado ao desempenho dos países vizinhos. Peru, Equador, Bolívia e Chile avançam numa média anual acima de 5%.

  Baseada num regime fiscal e monetário transparente e sem sofrer intervenções do governo, situação bem diferente a do Brasil, a economia peruana é uma das estrelas da América Latina. Desde 2010, ela cresce em média 7% ao ano, impulsionada especialmente pelos altos investimentos na exploração de metais.

  Para reduzir a dependência desse segmento, o país tem apoiado o empreendedorismo nos setores de gastronomia, turismo, construção civil, têxtil e de confecção. A qualidade desse setor e do algodão, comparável ao egípcio, fazem do produto peruano uma atração no mercado mundial.

 Veja abaixo a média de crescimento do PIB de alguns países da América Latina:

 Equador – 5,7% *

Bolívia –5,7% *

Chile – 5,1% *

Colômbia – 5%*

Uruguai – 4,8% *

Costa Rica – 4,3% *

Brasil – 2%*

*Ao ano

(Reportagem Luciana Bezerra, com informações da Revista Exame)

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