"Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá" Salmos 37:5
Postado em 03/12/2010
Indústria Abandonada

O dólar mais barato em relação ao real, os altos impostos no Brasil e a passividade do governo estão escancarando as portas do país aos produtos estrangeiros e gerando um processo de desindustrialização brasileira. A avaliação é do deputado Luiz Carlos Hauly (PR). Em novembro, os brasileiros gastaram US$ 868 milhões por dia em itens provenientes do exterior. Entre janeiro e novembro, as compras externas ultrapassaram US$ 166 bilhões. O recorde de US$ 17,3 bilhões nas importações resulta no menor saldo da balança comercial desde janeiro: apenas US$ 312 milhões.

Para o tucano, que é economista, a indústria nacional vive uma situação difícil com a invasão dos importados. De acordo com Hauly, as medidas adotadas pela gestão petista são precárias e têm causado a perda de competitividade brasileira. “O governo tem sido totalmente passivo à invasão de produtos de outros países, inclusive aqueles de consumo de massa, fechando empresas no Brasil. O país precisa de uma política pró-ativa para o conjunto das empresas industriais, produtoras e comercializadoras. Eu vejo com preocupação a precariedade das políticas anunciadas pelo governo” avaliou nesta quinta-feira (2).

O setor industrial teme o sucateamento da produção brasileira e o desemprego. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) faz alertas diários para o perigo, já que fica cada vez mais barato importar produtos prontos no lugar de manter fábricas funcionando no país. Além disso, a substituição dos produtos nacionais pode levar a demissões. Em setembro, o emprego industrial interrompeu uma trajetória de oito meses consecutivos de alta, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A justificativa para a paralisação nas contratações foi a concorrência provocada pelos importados.

Segundo o parlamentar, o Executivo deveria cobrar impostos sobre os produtos estrangeiros, além de fiscalizar de forma severa as importações e o faturamento com essas mercadorias. Na avaliação do deputado, o governo precisa rever também a questão cambial. “O câmbio flexível atual está matando a economia, as empresas brasileiras e deixando todo mundo sem capital e endividado”, destacou.

Outro dado preocupante é que as montadoras de automóveis no Brasil têm importado aço da China e da Coréia. Há estimativas de que as chapas de aço chinesas e coreanas são ofertadas a preços 40% menores que o produto nacional. A diferença é atribuída às vantagens fiscais e cambiais dos concorrentes, somadas ainda aos pesados custos internos provocados por carga tributária elevada e infraestrutura deficiente. Hauly classificou a importação de aço de “omissão criminosa do governo”. “Permitir que o Brasil, que tem uma das maiores exportadoras de ferro do mundo, importe aço de outros países é uma omissão criminosa ao emprego e a economia brasileira. Isso é lamentável”, condenou.

Balança comercial quase no negativo

→ Entre os principais itens trazidos de outros países aparecem equipamentos elétricos e eletrônicos, automóveis e até leite e seus derivados.

→ Na avaliação do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), os dados publicados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) mostram que a possibilidade de ter deficit comercial este ano deixou de ser improvável.

→ Novas medidas de estímulo ao crédito de longo prazo, visando a viabilizar megaprojetos de infraestrutura, deverão ser anunciadas em até 15 dias. A expectativa inicial era que o pacote fosse anunciado hoje, mas o governo ainda está finalizando as análises e precisa definir como fará desonerações em alguns instrumentos de aplicação de longo prazo.

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