"Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá" Salmos 37:5
Postado em 20/12/2005
A hora da cobrança
Em Hong Kong, durante encontro da Organização Mundial do Comércio, o ministro-empresário Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento,  Indústria e Comércio Exterior, fez uma das mais contundentes críticas ao governo do presidente Lula desde sua posse, há mais de mil dias.

 
Disse ele: "O governo não faz sinalizações, não traça cenários objetivos, nem estabelece meios para atingi-los", segundo publicou o jornal  "O Estado de S. Paulo".

Furlan é um dos mais paparicados ministros do governo Lula, sendo  responsável pela tal abertura de novos mercados aos produtos  brasileiros como 'mascate do Brasil'. A iniciativa, escorada na Lei  Kandir promulgada no governo de Fernando Henrique Cardoso e que  desonera as exportações, tem proporcionado um superávit comercial  correspondente ao nosso parque fabril.

Furlan é um comerciante, e seu comentário (os esclarecimentos que fez
depois não mudaram sua substância) focou o terreno das realizações do
governo petista. Sob esta ótica, Furlan tem razão, toda a razão.

Prova disto é o desempenho medíocre alcançado pelo governo Lula, cujos números não permitem contestação: nos últimos 25 anos é o que promoveu menos investimentos. De acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, a média de investimentos nos três anos do governo Lula é de R$ 11,6 bilhões, inferior ao do que menos investiu, o do general João   Figueiredo, que foi de R$ 12,5 bilhões.

Ou seja: ao invés de proporcionar o que prometia em sua campanha  eleitoral - o espetáculo do crescimento e dos 10 milhões de empregos,  ansiosamente esperado pela Nação -, o presidente Lula está promovendo o espetáculo do encolhimento! Some-se a retração dos investimentos ao recuo de 1,2% no PIB no terceiro trimestre, o que levará a uma expansão deste índice de, no máximo, 2,6% este ano, e teremos o retrato do descalabro administrativo que caracteriza o governo Lula.

Sob a ótica política, no entanto - data vênia, senhor ministro - o  diagnóstico de Furlan é inadequado. Pois desde 1º. de janeiro de 2003,  quando tomou posse, Lula tem sinalizado claramente e estabelecido todo tipo de meios políticos para atingir seu objetivo-mor - a reeleição,  razão e síntese de todos os seus atos na esfera política, que agora  procura converter em realizações palpáveis.

A ordem dada por Lula ao ministro Palocci, de acelerar os gastos no  final deste ano e ser mais generoso no ano eleitoral na liberação de  verbas para obras de infra-estrutura é o quê, a não ser a "sinalização  clara" e o "estabelecimento de meios" de que sua campanha à reeleição  terá farta cobertura de recursos públicos?

A decisão de arregaçar as mangas talvez tenha sido tomada tarde demais. Lula e seu governo descem celeremente a ladeira da impopularidade, como acabam de constar dois institutos de pesquisa, o Ibope e o Datafolha.

A maioria dos brasileiros desconfia do presidente e rejeita o seu  governo. Nesse item, outra pesquisa - realizada pela Globalscan a  pedido do Fórum Econômico Mundial, apontou que, entre 15 países  consultados, o governo que mais perdeu a confiança do eleitor foi o de  Lula.

Para Lula e o PT, o dado mais terrível das pesquisas é o seu baixo  desempenho junto ao eleitor que ganha até dois salários mínimos,  justamente o maior beneficiário dos programas sociais que, herdados de FHC, foram transformados pela administração lulista em carro-chefe de suas esperanças reeleitorais.

A corrupção, demagogia, despreparo administrativo e a arrogância do  governo Lula e do PT estão cobrando o seu preço.

LUIZ CARLOS HAULY é deputado por quatro vezes e secretário-geral do PSDB do Paraná

 
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